Sescanção resiste ao tempo para levar ao público os talentos da música sergipana



Os festivais de música no Brasil tiveram seu auge nas décadas de 60 e 70, revelando ao público grandes nomes da música nacional. Em Sergipe, não foi diferente. Na década de 80, a primeira edição do Festival de Música Popular Sergipana trazia o grupo Cataluzes, que mais tarde chegou a participar do programa “Som Brasil” da TV Globo, apresentado por Rolando Boldrin.

Outros festivais ganharam o gosto do público, como o Festival Estudantil de Música Popular, mais conhecido como Novo Canto, criado pela equipe da Fundação Estadual de Cultura e que abriu portas para despontar a carreira de nomes como Sergival, Antônio Passos, Nino Karvan, Pantera, Chico Queiroga, Antônio Rogério, Rubens Lisboa, entre outros.

Na década de 90 surge o Sescanção, realizado pelo Sistema Fecomércio, mostrando a riqueza do cenário musical do estado. Foi ponto de partida e impulsionou diversas carreiras como a de Patrícia Polayne, Alex Sant`Anna, Ivan Reis e Kleber Melo. Em 2004, passou a ser Mostra Sergipana de Música e em 2009 deixou de ter o caráter competitivo.

O coordenador do Sescanção, “Fabio Oliveira”, explica que o próprio formato do evento foi mudando, acompanhando as transformações da cena musical, até se estabelecer como mostra não competitiva. Dessa forma foi privilegiado o trabalho coletivo dos artistas selecionados, como grupo merecedor de reconhecimento a cada edição.

Fabio atribui a permanência do evento ao longo do tempo, a política cultural do Sesc que orienta o fomento à produção musical em todo país. “Nesses quase 20 anos, houve um notável amadurecimento do cenário musical sergipano como um todo. Dos próprios músicos e suas criações, do olhar do público e da profissionalização do meio técnico e estávamos atentos a isso”, explica.

Para o artista Alysoul, selecionado esse ano, o segredo da resistência do evento é a legitimidade que os artistas dão a mostra, sempre com um bom quantitativo de inscritos. “Penso que qualquer evento com essa magnitude só pode acontecer se existirem pessoas que gostem de música e que estejam envolvidas. Caso contrário não resistiria tanto tempo e com tantas edições. Esse ano foram mais de cem inscritos, isso mostra que os artistas acreditam no Sescanção, assim como o público que vai assistir”, fala.

Ele explica que mostras assim dinamizam a cena sergipana e proporcionam o contato do público com o artista local. “Eu sempre participei na posição de público e apoio a existência de mostras dessa natureza. Para mim significa muito ser selecionado já que a seleção é feita por uma curadoria especializada. Como artista é super importante, pois me coloca na história do Sescanção e me oportuniza visibilidade”, diz.

Esse ano o evento chega com novidades. Além da Semana de Extensão e Pesquisa em Música e o Circuito Sescanção com “pocket shows” realizados pelo Estado, o espetáculo terá apresentações dos artistas selecionados e de grandes nomes que passaram pela mostra. Outro momento especial é a homenagem que é feita em todas as edições a uma personalidade, a partir do legado deixado a música local. Esse ano a homenageada será a cantora Amorosa. O "15º Sescanção" será realizado nos dias 30 e 31 de outubro, às 19h, no Teatro Atheneu. A entrada é gratuita.

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Ayalla Anjos
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Aracaju, Sergipe